terça-feira, 22 de julho de 2008

Comamos Bananas!

Quanta gente por aí sofrendo de amor... Ou da falta dele, ultimamente. Que febre!
Pessoas inteligentes além do comum, talentosas além do comum, bem sucedidas de uma forma ou de outra... Quanto medo de morrer só por aí. Que febre! Que amor?
Quanta gente rodeada de gente sentindo-se só. Quanta gente só, sentindo-se só. Quanta gente inserida no mundo sentindo-se fora dele, por não ter outra pessoa ao lado. Quanta gente com outra pessoa ao lado sentindo-se fora do mundo por não perceber a pessoa ao lado. Quanta gente inserida no mundo sentindo-se só por não perceber o mundo ao lado. Quanta carência... Quanto vazio... Que amor?
Aos poucos deixa de ser real, e passa a ser modelo de comportamento. Aos poucos passa a ser assunto único de mesa de bar. Aos poucos, só serão aceitos na sociedade os que se queixam de estarem sós. Aos poucos, torna-se fashion. Aos poucos, torna-se hippiechic. Que charmoso me sinto quando sofro de amor... Ou da falta dele. Quanto amor desperdiçado. Amor?
Quanto apego. Quanta infidelidade. Quanta pieguice. Quanta banalidade.
Me pergunto: de que adianta tantos avanços tecnológicos, tanta tecnomusic, tanta psicobioenergofilosofia, tanta literopoesia, tanta cinedançadramaturgia, tanto conhecimento adquirido, ou não, tantas palavras lidas, ouvidas ou vividas, ou não, tantos churrascos, tantas festas e caipiroskas, se, no fundo, tudo se resume ao velho ritual de acasalamento do mundo animal. Acabemos com toda a arte do mundo, senhores! Acabemos com todos os textos do mundo, senhores. Acabemos com o dinheiro e com o corporativismo, senhores. Sugiro que seja matéria única nos colégios. Sugiro que seja o único filme nos cinemas. Sugiro que seja o único seriado nas televisões. O Reino Animal – Como me acasalar? Os ciclos de vida destes que nascem, matam para comer, se matam para encontrar um parceiro, acasalam-se, comem bananas juntos e morrem. Se, no fundo, a vida é isso só; se, no fundo, ser um animal consciente de si serve somente para sermos conscientes dos sofrimentos que a falta disso causa; se somos bichos conscientes e não entramos em contato com nossa própria consciência; se não podemos nos ter, mesmo sabendo que aqui estamos; se precisamos tanto do espelho que é o outro, voltemos aos chipanzés, senhores, e cocemos mais nossos sacos. Percamos menos tempo sonhando; percamos menos tempo trabalhando; percamos menos tempo tentando entender; percamos menos tempo criando; percamos menos tempo inovando; percamos menos tempo tendo de ser... Comamos bananas! Mas não a sós! Ao lado de outro qualquer. Qualquer não: da mesma espécie!

Um comentário:

Juliana Hilal disse...

Hehehehe
Agora entendi a história das bananas.
Ainda vamos falar sobre esse assunto, mas não por aqui.
Na sua volta.
Beijos